República da Ciência e Inovação

O conceito de República da Ciência estabelece seus elementos de sorte a defender a ideia de que a ciência não deve ser privatizada. São eles:
a) Fora da indústria, o trabalho do cientista consiste na busca do conhecimento e que os retornos práticos que acompanham pesquisas bem sucedidas são altamente imprevisíveis;
b) A pesquisa deve ser financiada publicamente e que a alocação dos fundos não deve ser orientada por resultados práticos;
c) As descobertas ao acaso explicam o sucesso prático da pesquisa realizada por talentosos e dedicados pesquisadores que se sentem livres para abordar o que eles entendem como problemas desafiantes da forma que pensam ser a mais promissora;
d) As decisões de alocação e de abordagem devem estar sob avaliação de pares do mesmo campo científico;
e) A intromissão do governo ou do mercado nas decisões de alocação de recursos seria o equivalente a destruir o patrimônio de produção de conhecimento;
f) Uma visão alternativa propõe que os resultados da pesquisa são, e devem ser, públicos. O espírito da ciência é comunitário no que tange ao acesso ao conhecimento e técnicas que ele cria;
g) O conhecimento é cumulativo e confiável porque é escrutinizado por pares;
h) A eficiência dos mecanismos de revisão e reconhecimento por pares, mantendo a ciência aberta, é um mecanismo de incentivo e controle eficaz.

Portanto, a República da Ciência defende que o produto da ciência deve ser público de sorte a permitir igualdade de condições para que empreendimentos e inovações se beneficiem do conhecimento gerado pelo esforço público de pesquisa.

Fonte: Nelson, R.R. (2004). The Market Economy, and the Scientific Commons. Research Policy 33, s.n., 455-71.

Nota: República da Ciência é um termo alcunhado no trabalho de Michael Polanyi (1967) em que a ciência deveria ser como uma grande República autogovernada, financiada com recursos públicos, mas onde a comunidade científica por si mesma definiria as prioridades e decidiria o que é boa ciência. Ver o relatório Science, the Endless Frontier (Vannevar Bush, 1945) que defende o autogoverno, porém com as prioridades nacionais desempenhando papel direcionador geral e amplo

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